Como a comparação é feita
Quando você antecipa parcelas, o banco tem de tirar os juros daquele período (Código de Defesa do Consumidor, art. 52, § 2º). Então cada real usado para quitar "rende" exatamente a taxa da dívida, sem risco e sem imposto. A calculadora compara isso com o que o mesmo dinheiro renderia investido, no mesmo prazo.
- Quitando. O valor cresce à taxa da dívida pelos meses que faltam. A diferença são os juros que você deixa de pagar.
- Investindo. O valor cresce à taxa do investimento, convertida para o mês, e o ganho paga o IR da tabela regressiva, a não ser que o investimento seja isento.
- A decisão. Ganha o caminho que termina com mais dinheiro. Na prática, é comparar a taxa da dívida com o rendimento líquido do investimento, os dois ao mês.
Um exemplo
R$ 10.000,00, dívida a 3% ao mês com 12 meses pela frente, e um investimento de 12% ao ano. Quitando, você deixa de pagar R$ 4.257,61 de juros. Investindo, o dinheiro rende R$ 1.200,00 e paga R$ 240,00 de IR (20%, porque são 360 dias). Quitar fica R$ 3.297,61 à frente.
A regra de bolso
Se a taxa da dívida ao mês é maior do que o rendimento líquido do investimento ao mês, quitar ganha. Quase sempre é assim no cartão de crédito, no cheque especial e no crédito pessoal. A dúvida de verdade aparece nas dívidas baratas, como financiamento imobiliário e consignado, e é aí que a conta faz diferença.
Uma ressalva: antes de quitar, garanta a reserva de emergência. Dinheiro que vai todo para a dívida não está disponível no próximo imprevisto.
Perguntas que todo mundo faz
O banco é obrigado a dar desconto se eu antecipar?
Sim. O Código de Defesa do Consumidor garante a redução proporcional dos juros quando você paga antes (art. 52, § 2º). É isso que faz cada real usado para quitar render a própria taxa da dívida.
Onde acho a taxa de juros da minha dívida?
No contrato, no carnê ou no app do banco, como taxa de juros ao mês. O CET (Custo Efetivo Total) é ainda melhor para comparar, porque inclui tarifas, seguros e impostos. Se só tiver a taxa ao ano, divida por 12 para ter uma ideia, sabendo que a taxa ao mês de verdade é um pouco menor.
Quais dívidas quitar primeiro?
As de juros mais altos: cartão de crédito rotativo, cheque especial e crédito pessoal sem garantia costumam estar no topo. Financiamento imobiliário e consignado costumam ser os mais baratos, e muitas vezes perdem para um bom investimento.
Devo usar a reserva de emergência para quitar?
Não toda. Sem reserva, o primeiro imprevisto vira dívida nova, quase sempre mais cara. Mantenha ao menos um mês de gasto guardado antes de antecipar parcelas.
No financiamento, é melhor reduzir o prazo ou a parcela?
Reduzir o prazo economiza mais juros, porque elimina as últimas parcelas inteiras. Reduzir a parcela alivia o orçamento do mês. A economia de juros desta calculadora vale para a redução de prazo.
E se o investimento render mais do que a dívida custa?
Então investir ganha no papel, mas confira se a comparação é justa: o rendimento precisa ser o líquido, depois do IR, e o investimento precisa ter risco baixo. A economia de quitar é garantida; o rendimento do investimento, nem sempre.
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